Por que os meninos são mais afetados pelo autismo?

Mesmo com o grande esforço da neurociência as causas do autismo ainda continuam um mistério. Entretanto, estatísticas confiáveis nos mostram que o transtorno do espectro autista (TEA) em meninos é mais comum. O doutor Leonardo Faria, do blog Meu cérebro, tira nossas dúvidas do porquê isso acontece.

Teoria do Cérebro Masculino extremo

É comprovado que o cérebro masculino funciona de maneira diferente do cérebro feminino. Em testes de QI padrão, por exemplo, as meninas tendem a pontuar mais em habilidades verbais, enquanto os meninos superam nas habilidades visuespaciais. Eles também costumam pontuar mais em problemas de análise matemática e analítica.

3D medical background with male figure with brain parts highlighted

Levado ao extremo, é claro, a “masculinização” do cérebro se confundiria com as principais características do autismo: deficiência da comunicação verbal e super sistematização. Alguns pesquisadores acreditam de fato nisso: o autismo estaria relacionado a uma expressão exagerada dos aspectos masculinos no cérebro em desenvolvimento que, dependendo da intensidade, poderia resultar no colapso das capacidades sociais.

Duas evidências apoiam a teoria do cérebro masculino extremo: variações na estrutura do córtex cerebral e influência do hormônio sexual testosterona.

Córtex cerebral mais fino

Uma porção do cérebro que varia conforme o sexo é o córtex. Homens possuem, de forma confiável, um córtex cerebral mais fino.

Utilizando a ressonância magnética, neurocientistas na Alemanha estudaram 98 adultos com transtorno do espectro do autismo (49 homens e 49 mulheres), tomando por base um grupo controle neurotípico.

O córtex, que sabidamente já é mais fino nos homens, também se mostrava com a espessura reduzida em todos os adultos com TEA. Tal diferença foi mais perceptível nas mulheres.

A pesquisa apontou que indivíduos com um córtex cerebral mais “masculino” seriam mais propensos ao autismo.

Altos níveis de testosterona fetal

Ainda apoiando a teoria do cérebro masculino extremo, alguns estudos encontraram correlações entre os níveis fetais de testosterona e o transtorno do espectro do autismo.

Pesquisadores descobriram que crianças expostas a altas concentrações de testosterona fetal exibiam algumas características de adultos com distúrbios autistas, como realizar menos contato visual, desenvolver menos interesses e ter relações sociais mais precárias.

 

Genética ligada ao cromossomo X

A ocorrência desproporcional do autismo em meninos e meninas levanta questões ligadas aos cromossomos sexuais. Um estudo canadense, por exemplo, concluiu que um pequeno número de casos de autismo está ligado à mutação de um gene encontrado no cromossomo X.

As meninas carregam duas cópias do cromossomo X; ou seja, elas têm um “backup”. Os meninos, no entanto, têm apenas um X de suas mães e o Y de seus pais. Isso os deixaria mais expostos às consequências dessa herança genética autista.

Outro exemplo é a síndrome do X-frágil, a segunda causa herdada de deficiência intelectual e a causa conhecida mais comum de autismo em todo o mundo. A síndrome engloba problemas de desenvolvimento, como dificuldades de aprendizagem e comprometimento cognitivo, além de características físicas, como face alongada e pés chatos. Também aqui, os homens são mais gravemente afetados do que as mulheres.

Diagnóstico de autismo em meninos é mais fácil

Por fim, segundo dados fornecidos pela Academia Americana de Pediatria, meninos são diagnosticados com autismo mais precocemente do que as meninas, possivelmente porque o sexo masculino apresenta sintomas mais graves.

Os sintomas iniciais apresentados pelos meninos autistas incluem maneirismos, comportamentos repetitivos e interesses altamente restritos. Acredita-se que os sintomas menos reconhecíveis em meninas estão levando não só ao diagnóstico tardio, mas também a uma sub-identificação da condição.

Outras razões tentam explicar a dificuldade de se identificar o autismo nas meninas:

  • Métodos diagnósticos tendenciosos desenvolvidos para as especificidades do autismo no sexo masculino, exatamente por ser esse o gênero mais afetado;
  • Associado ao fato de que as meninas têm menos atitudes repetitivas e restritivas, elas tendem a imitar mais o comportamento de outras meninas da mesma idade. Com isso, elas disfarçam as limitações sociais em relação aos meninos;
  • Elas precisam apresentar dificuldades comportamentais ou intelectuais mais severas para que se pense em autismo. Quando o distúrbio é leve, pode passar anos sem ser identificado. Podem ainda ocorrer diagnósticos equivocados, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e, até mesmo, transtornos alimentares, como anorexia.

 

 

Fonte:

https://meucerebro.com/autismo-em-meninos/

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